8 de outubro de 2019

Hoje começamos aqui no Rainhas, uma série mensal de posts – livremente inspirados na sessão “Eu, leitora” da revista Marie Claire – que consistirão em convidar pessoas pra compartilharem algum acontecimento na sua vida. Pode ser uma experiência, uma reflexão, ou um relato que sirva de inspiração para outras rainhas também. Tem tantas pessoas incríveis que nos acompanham, e vai ser um privilégio ter as suas histórias registradas aqui nesse espaço. Já fica aqui, o nosso muito obrigada pra Belle,🧡.

Por: Izabelle Amorim

“O cabelo curtinho sempre foi na minha família sinônimo de cabelo masculino, e quanto maior o cabelo, mais feminina eu seria. Essa questão de definir alguém pelo cabelo, ainda bem rsrsrs nunca foi o meu problema, mas impedia com que eu saísse daquela caixa padronizada e preconceituosa. Sendo assim, tive na infância aquele famoso Chanel e da adolescência até os meus 24 anos meu cabelo era na cintura!!!

Depois que casei, tive um sonho meio doido e sonhei que estava grávida de cabelo curtinho e ainda na cor azul… e fui comentar com meu esposo sobre o sonho, e ele me incentivou a buscar modelos de cortes, por que eu tinha me achado muito linda com um corte “masculino” hihihi… Passaram-se 2 meses e cortei, foi assim, bem radical mesmo e libertador. No meu primeiro corte foi um pixie cut com a parte de cima maior, onde jogava de um lado para o outro… ficou muito lindo… mas ainda não era como havia sonhado, então no mês seguinte cortei ele todo no famoso “Joãozinho” e gostei muito… mantive por 2 anos o mesmo corte.

E pela experiência do tempo, alguns fatores foram positivos de imediato, como, usar um “tico” de shampoo e condicionar, secar muito rápido, e a variedade de brincos virou uma brincadeira. Seu rosto fica evidente, e até achei que nesse corte ele alongou. Mas existem também os aspectos negativos, como, cresce muito rápido, todo mês estava no salão e às vezes enjoava do corte por que não consegui fazer nada de diferente nele. Mas olhando para estes aspectos, ainda assim, eu amo um cabelo curtinho.

Um ressalve bem grande é que se tu ainda se preocupa com os comentários como, “ nossa tu parece uma homenzinho”, “ por que tu fez isso com seu cabelo? Era tão lindo daquele jeito”, “eu não gostei, tu era mais bonita antes com ele grande”, “ seu marido deixou?”… e outros que já já ressalvo, infelizmente estes comentários inconvenientes serão acrescentados na sua vida depois de um corte radical, e o mais duro pra mim de tudo isso, foi que ouvi essas frases machistas, amargas da família, punk né… por isso hoje eu bato sempre no que eu sou, pois se eu desse ouvidos ao que ouço até hoje, estaria na caixinha deles, e jamais me tornaria uma mulher com tanta coragem e determinação em expor o que sou, o que penso, como encaro a vida… por ter um cabelo bem diferente do padrão mulher, e me sentir muito bem onde eu for, mesmo com olhares e comentários maldosos.

Um cabelo não te define, mas vai definir muito quem tu és. 

E hoje, morando longe, bem longe da família e sendo visita (que é bem gostoso hihih), eu me redescobri com o corte buzzcut, onde troquei as tesouras pela máquina de raspar. Me senti muito livre em passar uma máquina direto na cabeça, sem medo do que os outros iriam falar, e como me sentiria… fui lá e fiz, junto com meu esposo que em todo o processo dos cortes, falas dos familiares, sempre esteve ao meu lado e dando maior apoio nas minhas decisões. E ele sempre esta lá, olhando no espelho minha cara de feliz passando a máquina.

Nesse corte buzzcut, continuo indo uma vez por mês, mas sei que poderia ir de 2 em 2 meses, mas eu não aguento em ver ele começando a ficar desconectado sabe, aí uma vez por mês esta de bom tamanho. Mas em breve irei comprar a máquina para cortar em casa. Depois deste corte, meu shampo dura muito, mais de 4 meses (exatamente o tempo da minha mudança de cidade), e uso creme de cabelo mesmo “sem cabelo”, por que como amo um banho quente, já viu, direto no couro aquela temperatura, então meus cabelinhos novos precisam chegar fortes. Quanto aos comentários, o mais bizarro que ouvi recentemente da família novamente (olha, não fiquem com raiva dela, é que infelizmente a gente fala o que temos dentro do coração, e não podemos colocar o que carregamos no próximo, né), foi que parecia que eu tinha câncer, sim, um comentário cruel, que fiquei bem chateada no dia, chorei, liguei pra eles, briguei, e depois resolvi comigo.

Então se tu queres cortar, se joga num cabeleireiro de confiança, esteja decidida, e tapa os ouvidos, pois a sociedade ainda não é educada para respeitar o próximo. E lembre-se que, o que falarem sobre o teu cabelo, teu rosto, teu corpo, nadinha te defini. O que importa é como tu te enxergas…

Escrito por: Rainhas da Pechincha
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