12 de novembro de 2019
Pra quem ainda não sabe nós começamos aqui no Rainhas, uma série mensal de posts – livremente inspirados na sessão “Eu, leitora” da revista Marie Claire – que consistem em convidar pessoas pra contarem algum acontecimento na sua vida. Pode ser uma experiência, uma reflexão, ou um relato que sirva de inspiração para outras rainhas também. Tem tantas pessoas incríveis que nos acompanham, e vai ser um privilégio ter as suas histórias registradas aqui nesse espaço. E já aproveitando, queremos agradecer a Carol por compartilhar o seu relato conosco 💓.

Por: Carol Daixum

Meu nome é Carol Daixum e tenho 33 anos. Jornalista por formação, escritora por amor e ansiosa por natureza. Aliás, esse último ponto tem muito a ver com a beleza. Por quê? Bom, tem gente que desconta a ansiedade na comida, eu já desconto na minha pele.

Juro, não faço para chamar atenção. Basta pintar alguma preocupação, boba ou não, e pronto: me coço como se não houvesse o amanhã. É uma vontade quase que incontrolável e, até mesmo, inconsciente. Tenho a leve impressão de que o “coça coça” surge até de madrugada.
 
E eu nunca imaginei que uma coisa estivesse relacionada a outra. Mas descobri com o meu psiquiatra que tem. A pele seca e sensível, claro, ajuda, mas a ansiedade também tem culpa no cartório. Atualmente, com medicamentos, terapia e algumas consultas com a dermatologista, tudo está mais controlado. Porém, algumas fases ainda são bem tensas.
 
Falando nisso, antigamente quando a casquinha que formava caia, minha pele voltava ao que era. Seja no braço, nas costas ou na perna. Aí pronto: o vestido estava liberado de novo. Afinal, machucados em carne viva não combinam, ainda mais se você é a “culpada”. Hoje em dia, por conta da idade, a melanina, se não me engano, não ajuda tanto na volta da normalidade da pele. Ou seja? Ganhei com o tempo algumas marcas meio roxinhas pelo meu corpo.
 
Confesso que isso ainda mexe bastante com a minha autoestima e falar sobre o assunto me deixa com vergonha. Toda vez que eu me coço fortemente, falo que vai ser a última vez. Aliás, um dia, depois de coçar o meu rosto e ferir, prometi a mim mesma que tinha de mudar urgentemente. Mas as coisas não mudam da noite para o dia e descobri que preciso me cobrar menos, se não a ansiedade multiplica (e, consequentemente, a coceira também).

Já deixei de usar roupas por conta dessas marquinhas que, querendo ou não, acabam fugindo do padrão de beleza. Às vezes, conto com a ajuda do corretivo, da base e do band-aid para disfarçar e outras, a calça jeans, mesmo que lá fora esteja um calor de 40º, acaba sendo a minha melhor amiga. Afinal, as minhas pernas são as que mais sofrem. Mas sabe, por mais que eu tenha plena consciência de que essa atitude de coçar não é legal, pensar nas consequências que elas trazem de forma ruim, só piora a situação. 

Então, quando é possível, tento olhar para elas com carinho. Também tento inspirar e respirar. 

Passar creme, que ajuda bastante, escrever sobre (aliás, é a primeira vez que falo sobre. Obrigada, Kaka e Lola!), não abandonar a terapia, nem o tratamento e etc e tal.

Me esconder dentro de um casulo, por contas de atitudes do passado, não vai ajudar muito. Ser como eu sou, por mais clichê que pareça, é o melhor! E essa sou eu: com as minhas imperfeições. Pernas, braços, costas e por aí vai, fora do padrão e tudo bem. 😉
 
Claro que na prática, a teoria é mais complicadinha. Em contrapartida, isso não pode ser desculpa para não tentar. Então, se algo lhe incomoda e não dá para reverter, o melhor é aceitar. Usar essas cicatrizes como um incentivo e não como um martírio. E todos os dias eu tento fazer isso por mim. Faça por você também! A beleza tem de ser usada para nos fazer bem e não nos esconder, ok?

Beijos, Carol. <3″

 

Escrito por: Rainhas da Pechincha
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